Quando a Rede TV foi criada, em substituição à antiga Rede Manchete, a sua proposta foi a de inventar uma nova maneira de fazer TV. Até agora, nada inventou, justificando, portanto os últimos lugares no IBOPE, com exceção de alguns picos de audiência obtidos pelo programa Pânico. Porém, o mesmo o Pânico padece do mesmo mal: as celebridades que entrevistam e as festas de novelas são as da Globo.
Parece que só as novelas Globo existem para o Pânico, quando eles encontram artistas da Record em eventos públicos, a idéia fixa é perguntar: quando volta para a Globo? Ou seja, fora da globo não existe celebridade, nem vida, nem projeção e nem a possibilidade de um artista construir a sua carreira.
As raras referências feitas pelo Pânico aos trabalhos da “Concorrência” (novelas fora da Globo) são sistematicamente desairosas. Paralelamente ao establishment concedido à Globo pelos estrategistas da Rede TV, eles têm uma dificuldade enorme em assimilar outras temáticas que não estejam dentro do padrão folhetim explorado exaustivamente durante décadas pela Globo ( uma subsidiária do grupo americano Time-Life?).
A antiga proposta de inventar uma nova forma de fazer TV se transformou no dia a dia da sobrevivência à sombra do gigante, que além de não ser suficiente para alavancar os índices de audiência, é uma opção que cola e solidifica o pequeno IBOPE da Rede TV ao grande IBOPE da Globo. Como nos casos de parasitismo, o pequeno organismo alojado no corpo do hospedeiro tem a sua saúde dependendo do grande corpo que o alimenta. Vamos supor que o paradigma da TV esteja mudando e que novos ares estejam soprando, a Rede TV não terá condições de percebê-lo, estando tão enfronhada no desfrute da relação parasita.
Enquanto os próceres da Rede TV insistem em pautar apenas assuntos carimbados com o timbre Globo, pode estar acontecendo um fenômeno subterrâneo de sublevação como nunca ocorrido desde a consolidação do Império. Por décadas, o inimigo global mais próximo foi o SBT. Contudo, a rede do Sílvio Santos sempre foi folclórica e inconstante demais para representar qualquer perigo. Nos raros momentos em que eles pontualmente ameaçaram a audiência da grande irmã, a Globo simplesmente comprou programas do SBT, com o fim de simplesmente tirá-los do ar, desativando os artistas que estavam incomodando.
O aparecimento da Rede Record trouxe um ingrediente novo à disputa: depois de alguns anos de idas e vindas à semelhança dos erros cometidos pelo SBT, a Record apostou na continuidade de propósitos e na mimetização da concorrente. A Record tem dinheiro suficiente para bancar os seus programas, cobrindo as propostas financeiras que a Globo sempre faz aos artistas de qualquer programa que começa a lhe roubar precioso$ pontinhos do IBOPE. O próximo passo foi estabilizar a grade de programação fornecendo os mesmos pontos fortes da concorrente: notícias, novelas e programas.
À primeira vista pode parecer que a mimetização poderia tornar Record e Globo iguais, mas isto teria decretado o fracasso da proposta. Além de oferecer os mesmos produtos, a Record teve que preeenchê-los com conteúdo diferenciado – a embalagem pode ser a mesma - porém com um “plus” que justifica o porquê da Record ter vindo. Comparemos as novelas: enquanto a novela das 8 da globo continua desfilando os seus assuntos big brotherísticos de família e alcova na pequenês costumeira com que os estrategistas globais se acostumaram a pensar o Brasil, a novela da Record “Os Mutantes” traz à cena o mote da salvação do mundo e da humanidade.
Enquanto a Globo faz o mal triunfar sobre o bem, como no final da novela Belíssima em que a vilã se refestela em Paris com seu michê, a Record restaura a luta do bem contra o mal, resgatando a mensagem de que o bem tem que necessariamente triunfar. Mesmo que a mensagem não seja de todo realista, pelo menos serve para manter vivo o sonho de cada dia. De blog Paedia
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